
O mercado de criptomoedas está em estado de pânico extremo, com o índice de Medo e Ganância batendo 13. Na minha experiência, esse nível de sentimento geralmente indica uma fase de capitulação, onde os investidores vendem tudo às pressas. O valor de mercado total está em torno de US$ 2,16 trilhões, com queda de 2,34% nas últimas 24 horas, embora outros dados mostrem declínios entre 2,42% e 2,52%.
O que me chama a atenção é que, enquanto os preços caem, o volume de negociação dispara. O volume de 24 horas está em US$ 159,3 bilhões, mas o mercado de derivativos revela um abismo: enquanto o volume spot é de US$ 147,85 bilhões, o de derivativos saltou para US$ 1,25 trilhão, alta de 15,58%. Isso mostra que o movimento atual não é apenas uma mudança nos fundamentos, mas sim o resultado de traders alavancados sendo expulsos de suas posições.
A liquidez está fugindo para a segurança. A dominância de stablecoins (USDT e USDC) é de 12,11%, e o volume de stablecoins subiu 18,59% para US$ 147,29 bilhões. Para quem opera no Brasil, isso é um sinal claro: ou o pessoal está convertendo tudo em dólar para esperar a tempestade passar, ou está preparando caixa para comprar a queda. O cenário macro é igualmente desolador. O S&P 500 caiu 2,58% e o NASDAQ despencou 4,80%, provando a forte correlação entre a aversão ao risco nas ações tradicionais e a liquidação de cripto.
O Bitcoin está sendo negociado a US$ 60.750,55, queda de 2,27% em 24 horas. O ativo já caiu mais de 50% desde o pico de outubro. A dominância do Bitcoin continua alta, em 56,19%, embora alguns relatórios apontem até 58,30%. Com o Índice de Temporada de Altcoins em 68 (neutro) ou até 43, fica claro que estamos em uma "Bitcoin Season". O dinheiro não está migrando para as altcoins; ele está saindo do ecossistema ou se refugiando no ativo principal.
O Ethereum está sofrendo mais que o Bitcoin, com preço de US$ 1.554,95, uma queda de 6,49%. A dominância do Ethereum é de 8,66%. Um detalhe gritante é o estado da rede: as taxas de gas estão baixíssimas, entre 0,14 e 0,17 Gwei. Isso indica um colapso na atividade on-chain e no congestionamento, mesmo com o volume de trocas em exchanges seguindo alto. A volatilidade implícita do Ethereum é de 73,31, bem maior que os 50,92 do Bitcoin, o que o torna um alvo mais instável para os traders durante essa correção.
O mercado amplo apresenta perdas consistentes nos principais ativos. BNB está a US$ 573,1, queda de 3,00%. XRP caiu 3,27% para US$ 1,08. Solana recuou 5,39% para US$ 62,47. TRON caiu 1,94% para US$ 0,3193. Hyperliquid opera a US$ 59,12, queda de 5,11%. Os índices CMC20 e CMC100 caíram entre 2,40% e 2,99%, confirmando que a liquidação é sistêmica em diferentes capitalizações de mercado.
Um grande gatilho para o pânico atual é a crise de segurança no Zcash. Um modelo de IA descobriu uma falha de quatro anos na rede Zcash, o que fez a moeda de privacidade despencar e apagar bilhões de seu valor de mercado. Isso abalou a confiança no setor, pois especialistas alertam que bugs semelhantes podem estar escondidos em outras redes ou até em sistemas bancários tradicionais. Eu já escrevi antes sobre como o colapso do preço do Bitcoin pode ser desencadeado por incertezas globais, e essa vulnerabilidade técnica só piora a instabilidade.
A pressão regulatória também está aumentando. A Financial Conduct Authority do Reino Unido emitiu um alerta contra a Hyperliquid, aumentando a fiscalização sobre o mercado de futuros perpétuos. Enquanto isso, o Congresso dos EUA discute sete novos projetos de lei sobre impostos de cripto, o que gera incerteza fiscal para os investidores. Na frente de IA, relatos de que a Anthropic colocou engenheiros na NSA para operações cibernéticas ofensivas aumentaram as preocupações sobre segurança e regulação.
Existem alguns pontos positivos institucionais, mas eles estão sendo engolidos pela liquidação. O Morgan Stanley agora permite que clientes emprestem cripto para conversões de ETF spot, e a SEC aprovou o registro de fusão da Securitize, empresa de tokenização apoiada pela BlackRock. Eu expliquei anteriormente como ações tokenizadas poderiam acelerar a adoção institucional, mas essas vitórias estruturais de longo prazo não conseguem anular o pânico imediato.
Dados on-chain da Glassnode sugerem uma mudança estrutural no comportamento institucional. A média móvel simples de 30 dias dos fluxos líquidos de ETFs de Bitcoin Spot nos EUA atingiu -2,45k BTC por dia. Este é o ritmo de saída mais rápido e sustentado desde o lançamento dos ETFs. Isso indica que a venda institucional não é um evento isolado, mas uma tendência. Dados da SoSoValue confirmam isso, com uma saída líquida total de US$ 326 milhões para ETFs de Bitcoin e US$ 5,97 milhões para ETFs de Ethereum em 5 de junho.
Há também rumores via WuBlockchain sobre uma possível decisão da SEC contra a solicitação de ETF de Bitcoin da BlackRock. Se for verdade, seria um golpe duro no sentimento institucional. No espaço de derivativos, a atividade das baleias continua agressiva. Um trader abriu recentemente um short de 20x em 1.588 BTC, uma posição avaliada em US$ 96,78 milhões, apostando em mais quedas.
Uma perspectiva técnica sugere que o Bitcoin está se aproximando de uma zona de suporte forte entre US$ 56.620 e US$ 48.200. A análise nota que a queda do S&P 500 apagou mais de US$ 1 trilhão em valor em duas horas, arrastando o Bitcoin. A expectativa é de um repique de curto prazo rumo aos US$ 61.900 assim que esses suportes forem tocados, embora o momentum de longo prazo das Ondas de Elliott continue baixista. O índice DXY e os rendimentos dos títulos de 10 anos dos EUA estão subindo, o que continua pressionando os ativos de risco.


Outra visão foca em um padrão de "Ombro-Cabeça-Ombro" completado após a rejeição nas máximas históricas. Essa análise argumenta que o Bitcoin está revisitando uma área de demanda chave da fase de acumulação de 2022-2023. Se essa zona segurar, o movimento atual é apenas uma correção. Mas, se a pressão de venda causar a quebra desse suporte, o alvo de queda pode chegar aos US$ 30.000.
Já uma visão mais agressiva e otimista sugere que o movimento baixista iniciado em 6 de maio está terminando agora. Essa tese propõe que o Bitcoin pode voltar a subir em 6 de junho, espelhando um rali anterior de três meses. A sugestão é acumular tudo abaixo de US$ 70.000 para uma possível subida que dure até setembro de 2026.

Traders de alta convicção na Hyperliquid estão pegando lados opostos da volatilidade atual. Um trader com ROI de 386% em 30 dias abriu uma posição de SHORT em BTC a US$ 60.877, com valor nocional de US$ 304.385. Isso está alinhado com o momentum baixista e as saídas institucionais dos ETFs.
Por outro lado, outro trader com ROI de 112% abriu uma posição de LONG em HYPE a US$ 68,307, com valor de US$ 100.000. Isso sugere que parte do "smart money" está buscando jogadas de recuperação em tokens específicos do ecossistema, apesar do crash geral.
O foco imediato é se o Bitcoin consegue segurar o nível de US$ 60.000. Uma queda confirmada abaixo disso pode disparar novas liquidações, considerando os US$ 417,79 bilhões em interesse aberto para perpétuos. Recomendo monitorar os fluxos dos ETFs Spot nos EUA; enquanto a média de 30 dias não ficar positiva, a demanda institucional será um vento contrário.
Além disso, o resultado da audiência na Câmara na terça-feira sobre os novos projetos de lei de impostos de cripto será um driver chave de sentimento. O mercado também espera para ver se a vulnerabilidade do Zcash é um incidente isolado ou se outros protocolos importantes estão expostos. Com o índice de Medo e Ganância em 13, o mercado está maduro para um repique, mas isso exigirá um catalisador para reverter o êxodo institucional atual.
Sigrid Voss
Analista e escritor de criptomoedas que cobre tendências do mercado, estratégias de negociação e tecnologia blockchain.
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